terça-feira, 14 de junho de 2011

O JACAREZÃO DA LULU

Hoje, saí disposto a mostrar a nova decoração das camisas Lacoste, que aumentou, consideravelmente, o tamanho do jacaré, aplicado ao lado esquerdo da peça.
A Lulu, minha sobrinha que mora em Lima, havia me presenteado com a novidade, dizendo que, a partir de agora, a fábrica peruana da famosa marca francesa, decidira mudar o lay-out de suas peças, promovendo o jacaré a um jacarezão na cor da camisa, com a boca vermelha aberta.
Assim, saí vestido com a nova camisa pela primeira vez para ver o que acontecia.
Já no elevador, aqui da Toca, um menino atleticano perguntou para a mãe, ao seu lado:
“Mamãe, o jacaré tá maior que o Galo?”- apontando para o meu peito. A mãe, muito bonita até, dirigiu-se a mim e falou: “Mudaram o tamanho do jacaré Lacoste?” Contei-lhe o que a Lulu havia me falado e ela, conformada, respondeu ao filhinho: “Não, meu bem, este jacaré do moço não tem nada a ver com o Galo. O jacaré é o símbolo de uma marca de roupas, não um time de futebol como o seu Galo”. Atento, ele descontraiu o cenho e abriu um sorrisinho pra mim, com certeza, já não se sentindo ameaçado pelo jacarezão.
No posto de gasolina, o frentista ficou olhando fixo para o dito cujo e tive que lhe
explicar senão derramava a gasolina na carroceria do automóvel.
Na Epamig, do porteiro da garagem à recepcionista, até os meus colegas da AUDI, também a nenhum deles passou despercebido. Nos corredores, até chegar a minha sala, os olhares de secretárias, contínuos e colegas, com os quais cruzei pelo caminho, encaravam o monstrengo e, para eles, não pude explicar. Devo estar passando por exibicionista.
Vou ver como vai correr o dia e continuo descrevendo a primeira experiência com o super jacaré no peito.
Ah! Na volta do trabalho, parei no Roça e Cia., na Rua Pouso Alegre, e o Luciano foi logo perguntando: “Onde é que você arrumou esse jacaré tão grande?” Com isto, todos os fregueses olharam para mim, viram o bicho e ficaram esperando a resposta. Aí, resolvi inventar uma história. Falei que a marca Lacoste estava muito preocupada com a concorrência, pois, a partir dela, lá pelos anos 50, decidiram inventar bichos e marquinhas para colocar nas suas roupas e apareceu de tudo: lobo, cavalo, jogador de hockey, elefantes, ursos, tracinhos e risquinhos, enfim, uma copiação danada, sem pé nem cabeça. E a Lacoste, enciumada, resolveu promover seu jacarezinho para enfrentar a concorrência com a bicharada novata. Acabei de contar a história, comprei umas tortinhas de frango com Catupiry, um queijo canastra para mofar e uma linguiça caipira bem apimentada para os tira-gostos da noite e fui embora.
Na Toca, fui à portaria pegar o jornal e as correspondências do dia e Seo Marcos perguntou: “Ué, doutor, que jacarezão, heim?” É, coisas do marketing moderno para enfrentar a concorrência - respondi. Ele não entendeu nada e continuou a assistir ao Jornal Nacional. Boa-noite, Seo Marcos.
Belo Horizonte, 3 de junho de 2011.