HEBE CAMARGO NOS ANOS 1950
Quando morávamos em São Paulo , de 1949 até 1959, papai era professor da Faculdade de Higiene e Saúde Pública, que ficava a meia quadra lá de casa, como dizem os paulistas. E como o nosso prédio não tinha garagem, o poderoso Mercury verde escuro 1950 ou dormia na rua Arruda Alvim, na porta do prédio, ou na garagem da Faculdade.
Geralmente ficava lá mesmo, junto com outros carros de professores que também moravam por perto. No entanto, num belo dia, a garagem foi requisitada pois seria ali realizada uma festa de fim de ano, e, naquele lugar, seria montado um palco para algumas apresentações de palhaços e cantores.
A Lúcia e eu nos entusiasmamos porque haveria música ao vivo e nós adorávamos ouvir música. Lembro-me de que ouvíamos à noite uma rádio americana WABC – AM &FM of New York, de onde tirávamos as letras das músicas que gostávamos de cantar: Blue Moon, You send me, You belong to me, Nevertheless, All shook up, Bim-bom-bey, Kisses sweeter than wine e tantas outras. Ela as organizava em ordem alfabética num caderninho, e eu marcava os acordes de violão em cima de cada mudança harmônica.
Nos divertíamos muito com isto. O programa era levado da meia-noite às duas da madrugada.
E no dia da festa da faculdade, lá fomos nós para nos assentarmos na primeira fila.
Quando foi anunciada a nova cantora que faria um dos números era, nada mais, nada menos do que a menina de 20 anos Hebe Camargo. Com um vestidinho branco rodado com a saia pregueada, ela apresentou-se, muito graciosa cantando alguns de seus sucessos: Que beijinho doce e Meu limão, meu limoeiro. Eram músicas de roda, de brincadeiras de crianças pois, na época, aqui no sudeste, não havia compositores. Já no nordeste vinham despontando algumas músicas de Dorival Caymmi e Luis Gonzaga. E era só!
Esta lembrança é uma pequena homenagem à grande dama da televisão brasileira de todos os tempos.
BH, setembro, 2012.

Nenhum comentário:
Postar um comentário